domingo, 3 de fevereiro de 2013

DECISÃO! Silvia Plath Dia nublado: dia cinzento fico de mãos bobas esperando o leiteiro o gato de uma orelha lambe a pata cinza e ardem brasas em chamas lá fora, vão ficando amarelinhas as folhas da trepadeira uma fina fita de leite embaça garrafas vazias na janela nenhuma glória provém duas gotas se equilibram numa verde envergada haste da roseira na casa ao lado ó se arca de espinhos o gato afia as garras o mundo gira hoje hoje não irei desiludir meus doze engalanados examinadores nem cerrarei meu punho na ironia do vento.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O recado é leveza! Nada de agressão ao próprio ritmo e limite! Leveza! Simplicidade na essência, sem pesos. Nada vai acabar Tudo continua sempre. Concentração. Foco. Determinação. Devagar, no próprio ritmo, Mas mantendo a constância sem desfocar, Sem desconcentrar e Tudo na leveza. Madalena Freire - Educador, educa a dor

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Microcontos

Cacos

Ela disse que seguiria em frente, nem que fosse para depois juntar os cacos. Fez um mosaico.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

"A vida é assim, tão doce, mesmo quando dói, mesmo quando é perigosa, mesmo quando mata – como um bom-bom recheado de cicuta." Heloisa seixas in A Porta

quarta-feira, 24 de março de 2010

MINHA CULPA
Florbela Espanca

Sei lá! Sei lá! Eu sei lá bem
Quem sou? um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo...um canto de paisagem
Ou apenas cenário! Um vaivém

Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou? Sei lá! Sou a roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou! Eu sei lá quem!...

Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro...
Uma chaga sangrenta do Senhor...


Sei lá quem sou?! Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...
Motivo da Rosa

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Cecília Meireles

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama!

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim
Todo o nada que és é teu
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa